Erro de arbitragem decide clássico: é hora de anular o Choque-Rei?

choque rei
Arte: Redação Deu Zebra News
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Arte: Redação Deu Zebra News

O domingo de Choque-Rei no Morumbi deveria ser uma celebração do futebol paulista. Mas terminou como mais um capítulo da longa novela sobre a arbitragem no Brasil — com o São Paulo reclamando, o Palmeiras vencendo por 3 a 2 e a sensação de que a justiça dentro de campo se tornou apenas detalhe.

O São Paulo começou dominante, abrindo 2 a 0 com Luciano e Tapia, em um primeiro tempo seguro e envolvente. O time parecia encaminhar uma vitória convincente diante de um rival poderoso. Mas o segundo tempo mudou tudo — não só pelo desempenho, mas, principalmente, pelas decisões do árbitro Ramon Abatti Abel e da equipe de vídeo.

O lance mais contestado aconteceu quando Allan, do Palmeiras, derrubou Tapia dentro da área. O toque foi claro, o tricolor pediu pênalti, mas o árbitro mandou seguir. O VAR, em silêncio ensurdecedor, nem chamou para revisão. Minutos depois, o Palmeiras cresceu e virou o jogo para 3 a 2, aproveitando a desorganização emocional de um São Paulo que se sentiu — com razão — lesado.

“Foi escandaloso, nunca vi nada igual”, disse o técnico Hernán Crespo após a partida, ecoando o sentimento de boa parte da torcida. Não foi a primeira vez — e, pelo visto, não será a última — que a arbitragem decide o rumo de um clássico contra o mesmo time.



De um São Paulo combativo a um São Paulo conformado


Historicamente, o São Paulo já simbolizou um espírito de luta e resistência. Nos tempos da Segunda Guerra, o clube foi marcado por episódios de ousadia e confronto com o poder — inclusive quando torcedores e dirigentes cogitaram tomar o estádio do então Palestra Itália, em meio à perseguição imposta pelo governo Vargas. Naquele tempo, o São Paulo representava uma ideia de democracia e coragem, um clube que dizia, com orgulho: “No Brasil fascista não se cria.”

Hoje, porém, o que se viu no Morumbi foi um São Paulo passivo, impotente diante da ditadura do apito e da força política da CBF. Um time que antes enfrentava o sistema agora parece apenas se ajoelhar a ele, aceitando que o erro virou parte do jogo — e que reclamar é perda de tempo.



Resumo do jogo


O São Paulo abriu o placar aos 14 minutos com Luciano, após boa jogada pela direita. Aos 33, Tapia ampliou de cabeça, levando o Morumbi ao delírio.

Na volta do intervalo, o Palmeiras reagiu:
– Vitor Roque diminuiu aos 24 minutos;
– Flaco López empatou aos 29 minutos;
– Ramon Sosa completou a virada aos 43 minutos.

Um clássico intenso, decidido entre lances duvidosos e falhas individuais — e que deixa o São Paulo mergulhado em frustração.



Um futebol sem vergonha de ser previsível


Quando o erro se repete para o mesmo time, deixa de ser acidente. Quando o silêncio do VAR é constante, vira política. E quando os mesmos são beneficiados enquanto outros são prejudicados, a dúvida desaparece: o problema não é a falha, é o critério seletivo que decide quem pode e quem não pode ser prejudicado.

O resultado é um campeonato manchado, não apenas por um jogo mal apitado, mas por uma sequência de decisões que comprometem a credibilidade do torneio. O torcedor já não confia, os clubes se calam e a CBF finge neutralidade — enquanto o futebol brasileiro se afasta, a cada rodada, da sua própria essência.

Diante de um erro tão claro e repetitivo, a pergunta que fica não é apenas retórica: seria este o Choque-Rei que deveria ser anulado? A integridade do clássico e do campeonato está em jogo — e o debate sobre justiça no futebol brasileiro nunca foi tão urgente.

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